- Ei vó, me diz um tema que tem a ver com novela para eu falar no blog...
- Hm... Por que você não fala sobre as fotonovelas?
Bem, talvez muitas pessoas não saibam muito sobre esse assunto, mas as fotonovelas foram uma mídia de muito sucesso décadas atrás. A revista Capricho, por exemplo, começou apenas com fotonovelas. Esse tipo de literatura surgiu na Itália, com o nome de fotoromanzo em 8 de maio de 1947. O primeiro fotoromanzo foi "II mio sogno" ("Meu Sonho"), feito por Stefano Reda.
As fotonovelas são uma mídia precursora das novelas televisivas. Elas são histórias em quadrinhos que, em vez de ilustrações, utilizam fotografias. Entre os anos de 1950 e 1970, o público das fotonovelas chegou a milhões de leitores (em maior parte feminino) com as histórias publicadas em revistas com grande circulação em todo o país.
A revista Capricho, primeira revista feminina do Brasil e da editora Abril, foi um grande exemplo do sucesso que as fotonovelas alcançaram. No ano de 1956 a revista chegou a mais de 500.000 exemplares por edição, a maior tiragem de uma revista na América Latina até então. Contudo, a partir de uma pesquisa nos anos 1970, as revistas de fotonovelas só eram superadas, em termos de venda, pelos quadrinhos infantis. A revista Capricho vendia 273.050 exemplares quinzenalmente, apenas perdendo para “Pato Donald”, “Mickey” e “Tio Patinhas”. Os quadrinhos chegavam, em média, à quase 2 milhões de exemplares vendidos por mês. Outras revistas de fotonovelas importantes no Brasil era a Grande Hotel (Editora Vecchi) e a Sétimo Céu (Editora Bloch).
Sobre as histórias das fotonovelas, os personagens eram maniqueístas (havia divisão do bem e do mal, onde o personagem bom era sempre bom e o mau era sempre mau) e o enredo apresentava intrigas sentimentais de uma heroína normalmente de origem humilde. Isso é relacionável ao público, que era em sua maioria era feminino.
Na época, os meios de comunicação eram poucos e os que existiam atingiam apenas uma pequena parte da população, contudo, as revistas de fotonovelas eram vendidas de forma abrangente, tanto em bancas de grandes cidades, como em pequenas cidades, sendo assim mais fácil de chagar às mãos do público. E ainda tem o caso bem comum das revistas serem emprestadas para diversas pessoas. E as fotos novelas tinham uma influência, minha avó, por exemplo, quando jovem, era uma grande fã das fotonovelas da Capricho, tanto que o nome da minha mãe e do meu tio são de personagens de fotonovelas.
Raquel de Barros, em seu artigo “A revista da moça moderna”, fala que nas revistas de fotonovela eram anunciados produtos de limpezas, eletrodomésticos e até mesmo a moda (a partir do estilo das personagens da história). As garotas da época se vestiam e compravam produtos a partir da influência das fotonovelas. As revistas ainda também traziam muitas informações relacionadas ao teatro, ao cinema, à literatura, à culinária e outros assuntos.
Outras Curiosidades:
- No Brasil, a primeira revista de fotonovela publicada foi “Encanto – A romântica revista do amor” (04/11/1949), mas na época era chama de “foto-desenho”. A revista apresentava em seu primeiro volume das histórias “Almas Torturadas” de Albert Morris e “Os Dois Amores de Ana” de Ana Luce.
- A primeira fotonovela com atores representando foi publicada no volume 22 da Encanto (03/04/1950) com o título “Invencível Amor”, baseada no romance de W. Poliseno.
- A revista “Sétimo Céu” usava como atores além dos atores os cantores famosos da época: Roberto Carlos, Vanusa, Cauby Peixoto, Wanderlei Cardoso. E também usava atores da telenovela.
Referências:
http://acervodefotonovelas.blogspot.com.br/p/fotonovelas-no-brasil.html
http://asfotonovelas.blogspot.com.br/p/escritos-sobre-fotonovelas.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Capricho
http://www.fazendogenero.ufsc.br/7/artigos/R/Raquel_de_Barros_Pinto_Miguel_12.pdf
http://www.scielo.br/pdf/rbh/v28n56/13.pdf
http://acervodefotonovelas.blogspot.com.br/p/fotonovelas-no-brasil.html
http://asfotonovelas.blogspot.com.br/p/escritos-sobre-fotonovelas.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Capricho
http://www.fazendogenero.ufsc.br/7/artigos/R/Raquel_de_Barros_Pinto_Miguel_12.pdf
http://www.scielo.br/pdf/rbh/v28n56/13.pdf