Sim, estamos de volta \o/. E digamos que esse recesso nos rendeu muita inspiração para conversarmos aqui ao longo desse ano novo, ok?
Falando em inspiração... Vocês viram que a Globo reprisou nessa semana a minissérie ''O Canto da Sereia''? Trata-se de uma adaptação do livro homônimo de Nelson Motta. Essa intertextualidade entre obras literárias e audiovisual é comum desde os primórdios da televisão.
E no caso da dramaturgia brasileira há vários exemplos dessa relação. Pois, veremos que muitos livros literários são usados como fontes para enredos e personagens que carregam consigo seus valores e significados. Os quais mobilizam o processo de construção de identidade não apenas de leitores, mas também de telespectadores.

Mas, adaptar a obra de um livro para o formato de novela não é tão simples quanto parece, pois implica uma determinada adequação de conteúdo, seja pelo o horário de transmissão, pela adaptação da nova linguagem(audiovisual) do meio ou até por questões comerciais. Por exemplo, Nelson Rodrigues foi adaptado para o horário das seis: o romance “O Homem Proibido” virou novela em 1982. Mas o resultado final pouco teve a ver com o livro do “Anjo Pornográfico”, já que o horário quase nada permitia da obra do autor. Rapadura é doce, mas não é mole não
E lógico, há também uma série de exemplos de adaptações que funcionaram. Começando pelos romances do século XIX que tiveram destaque não só em forma de folhetim, mas também nas telas das televisões. Como a obra literária ''Senhora'' de José de Alencar ganhou versões dramatúrgicas em diferentes décadas devido seu sucesso.
Já discutimos sobre a influência do público nas novelas aqui, certo? (Se não, confere aí). Levando em conta esse feedback positivo do público, a Rede Globo, que antes não tinha uma faixa tradicional de novelas nas 18h, inaugurou em 1975 uma programação dominada por adaptações da literatura brasileira no horário. Entre 1975 e 1982 foi ao ar um total de vinte produções – a maioria de época. Foi esse horário que revelou autores como Manoel Carlos e Ruy Barbosa.
Vamos lembrar alguns desses sucessos que foram veiculados nesse período:
Helena
Exibida em 1975, estreou a série de adaptações de obras literárias brasileiras no horário das 18 horas. A novela é uma adaptação do livro de Machado de Assis. E também ganhou uma nova versão em 1987 na TV Manchete.
Senhora
Foi o primeiro romance de José de Alencar adaptado a tramadurgia e também o que ganhou mais versões na telinha. Sua primeira adaptação foi em 1953 na TV Paulista. Já a versão de Gilberto Braga foi ao ar na Rede Globo em 1975, sendo a primeira novela das 18h exibida em cores.
A Moreninha
A adaptação do livro de Joaquim Manuel de Macedo foi exibida entre 1975-1976.
O Feijão e o Sonho
A história de Orgenes Lessa foi adaptada para televisão em 1976 e foi um grande sucesso.
Escrava Isaura
A novela baseada na obra homônima de Bernardo Guimarães é o maior sucesso de adaptação da tv brasileira. Foi exibida em 1976 e em 2004 a Rede Record fez uma nova adaptação.
Maria Maria
Baseada no romance “Maria Dusá” de Lindolfo Rocha, a novela foi ao ar em 1978.
A Sucessora
O livro de Carolina Nabuco ganhou sua versão novelística entre 1978-1979.
Cabocla
O romance de Ribeiro Couto ganhou sua adaptação para televisão em 1979 e teve um remake em 2004.
Ciranda de pedra
A adaptação da obra de Lygia Fagundes Telles foi exibida em 1971 e também teve seu remake em 2008.
Outras adaptações ao longo das décadas:
Éramos seis
A Obra literária de Maria José Dupré teve sua primeira adaptação na Record em 1958, depois em 1977 na Tupi e em 1994 no SBT exibe a última e mais recente adaptação (também reprisada em 2001). História linda e comovente <3
As Minas de Prata
O Romance de Alencar fez bastante sucesso na TV Excelsior em 1966. E tornou-se base da novela 'A Padroeira'' exibida em 2001 na Globo.
O Morro dos Ventos Uivantes
A adaptação do livro de TV Excelsior foi exibida em 1967 na extinta TV Excelsior.
Os miseráveis
O clássico do escritor Victor Hugo ganhou uma versão novelística em 1967 na Rede Bandeirantes, época que a emissora apresentava suas primeiras novelas.
Meu Pé de Laranja Lima
A obra de José Mauro de Vasconcelo foi adaptada na TV Tupi em 1970 e Rede Bandeirantes em 1980, além de ser reprisada na Fox Live em 2006.
Gabriela, Cravo e Canela
Obra de Jorge Amado ganhou uma adaptação na Rede Globo em 1975 e um remake em 2012. Jorge Amado e José de Alencar são recordistas pelo visto, hein?
Sinhazinha Flô
Novela exibida na Rede Globo em 1977 foi inspiradas nos romances ''Til'', ''A Viuvinha'' e ''O Sertanejo''.
Memórias de Amor
A novela foi exibida em 1979 na Rede Globo era baseada no livro "O Ateneu" de Raul Pompeia.
Sinhá Moça
A obra literária de Maria Dezonne Pacheco Fernandes ganhou sua adaptação na Rede Globo em 1986 e um remake em 2006.
Tieta
Baseada no livro “Tieta do Agreste'' de Jorge Amado, a novela deu grande audiência entre 1989-1990.
As Três Maria
Baseada no romance de Rachel de Queiroz foi exibida em 1980 na Globo.
Olhai os Lírios do Campo
Baseada no romance de Érico Veríssimo também foi exibida em 1980 na Globo.
Porto dos milagres
Novela exibida em 2001 na Globo era inspirada em duas obras de Jorge Amado: “Mar Morto” e “A Descoberta da América pelos Turcos”
O Cravo e a Rosa
Inspirada no texto teatral “A Megera Indomada” de William Shaskepeare, a adaptação de Walcyr Carrasco foi ao ar na Rede Globo entre 2000-2001 e reprisada em 2003 e 2013. PARA A NOSSA ALEGRIA <3
Essas Mulheres
A novela exibida em 2005 na Record era baseada na junção de 3 obras de José de Alencar: ''Senhora'', ''Diva'' e ''Lucíola''.
Poder Paralelo -
Novela inspirada no livro Honra ou Vendetta de Silvio Lancellotti foi exibida em 2009 na Record.
Ufa, achei que não ia acabar nunca.
A literatura realmente parece ser uma fonte inesgotável para as dramaturgias brasileiras, quanto mais pesquisamos, mais encontramos. E para analisar algo é importante primeiro conhecer sua origem.
Beijos, até a próxima.