29.3.15

O Papel da Mulher

Hoje a mulher pode votar, se separar, trabalhar, ser mãe solteira, entre muitas outras coisas, nossas novelas também mostram hoje mulheres fazendo coisas que antes eram apenas "trabalhos masculinos", apesar de ainda causar estranheza, como era o caso do Pereirão da novela Fina Estampa, mas por que ainda estranhávamos isso?? Uma mulher trabalhar para sustentar os filhos é algo que vemos todos os dias, inclusive dentro das nossas casa, mas como crescemos escutando "isso não é coisa de menina" ou "isso não é coisa de menino" criamos certas barreiras que podem ou não ser quebradas ao decorrer do nosso amadurecimento. 



Houve muitos avanços que não podem ser negados, apesar de ainda existirem muitas limitações, por exemplo a mulher no exército não pode ser tornar general ou na vida religiosa uma madre não pode rezar uma missa, mas e a nossa sociedade? Ou melhor, e 

Entre 1981 e 1990 a quantidade de mulheres no mercado de trabalho só aumentava e chegou aos 23 milhões, sendo 18 milhões na cidade, mas que trabalho era esse ? Trabalhos que eram considerados femininos eram doméstica, secretária, professora, enfermeira (não médica), ou seja, trabalhos que eram considerados da natureza feminina, uma mulher com uma profissão de destaque era vista como masculinizada e os homens tratavam de a diminuir na sociedade, ou seja, no trabalho a mulher ainda tinha que seguir os valores cristãos e ser subordinada ao homem.

As novelas dificilmente criam as realidades em que se passam o enredo, elas criam as personagens e a vida delas se baseando na vida real da nossa sociedade, ou seja, aquele casal de velhinhas realmente existe, as pessoas gostando disso ou não, apesar de incorporar tendências emergentes, a TV costuma a se ater à um certo conservadorismo. Por isso, mesmo quando todos sabíamos que a família nuclear não era o único tipo de família, ainda víamos muitas novelas onde esse era o único tipo de família possível, mas com a mulher trabalhando fora, os casamentos não monogâmicos e a expansão do mercado, não era possível manter a família como sendo apenas um pai, uma mãe e seus filhos. Mas ainda tínhamos a mulher sempre sendo guiada pelo homem, ela era o dependente frágil, virginal, caso fosse boa, e promiscua e manipuladora caso fosse vilã, mas sempre tínhamos a superioridade do marido e a obediência da mulher, visto que a sociedade era composta em sua maioria em católicos, logo, nossas novelas não podiam retratar um casamento acabando, o divórcio ainda era um tabu forte e visto com maus olhos.

Mas e o adultério? Ele existia, obviamente era mostrado nas novelas, mas tem um ponto, se o homem que traía a mulher era por culpa dela e seguia sem punição, se a mulher que traia o homem, ela era punida e exposta na sociedade como promiscua entre outras coisas, mães solteiras também carregavam a culpa de estarem sós, geralmente causavam choque na família, principalmente aquelas que escondiam a paternidade, como era o caso da personagem Cíntia (Selva de Pedra), o casamento era um fator de ascensão social, era a parte mais importante da vida da mulher, era considerado uma coisa boa largar o emprego para virar dona de casa. Quando a mulher ganhava dinheiro com o próprio suor isso não era valorizado, bom mesmo era um marido rico.


A prostituição também existia nas novelas, mas a profissão mais velha do mundo era tratada com extremo moralismo, com exceção da personagem Quitéria (A Próxima Vítima), mas a sua vida profissional não era mostrada, ela era "pintada" como boa mãe, boa filha, logo era "perdoada", apesar de ter sido teoricamente punida por isso, quando o seu final feliz (casamento), literalmente explodiu, Tieta, dona de um bordel era respeitada também, mas isso se dava por seu poder econômico, não por ser realmente respeitada, sem mencionar que ainda vemos a mulher prostituta com olhos muito conservadores, ou a vemos como uma mulher sem opções ou como uma mulher promiscua, nas novelas, as mocinhas que foram imposta a essa vida (se eram mocinhas, muito difícil ter sido opção delas) estavam em busca de alguém (homem, casamento) que as tirasse daquela situação, quando estavam por opção, eram promiscuas, impuras, normalmente associadas ao vilão, como era o caso de Bebel (Paraíso Tropical). 


Com o tempo as novelas quebraram os esteriótipos de que só temos um amor na vida, na novela Salvador da Pátria, por exemplo, tem-se uma constante troca de parceiros, assim como foi introduzido casais homossexuais, tudo aos poucos, muito delicadamente, para não chocar demais o público, porque a novela não quer mostrar outra realidade se não aquela com que seu espectador se identifica, se vemos nas novelas valores sexistas e vemos mulheres se identificando com isso, podemos ver que nossa sociedade ensinou às mulheres e homens que isso era o certo, que era assim que devemos viver. O cotidiano feminino sempre esteve cercado de determinismos e limitações, a novela apenas põe a vista aquilo que vivemos todos os dias, mas deveria ela também educar as pessoas quanto ao que é preconceito e machismo? 

21.3.15

Estréia de novela e seus memes.

E aí pessoal, tudo bem com vocês?


Nessa semana teve a estréia da novela das 21h "Babilônia" e como a gente sabe (também para quem não sabe) a internet é tão rápida que já surgiu diversos memes sobre a o primeiro capítulo da trama. Alguém assistiu?



O que eu quero dizer com esse post: são as reações do público, as expectativas do primeiro capítulo, aquela dúvida se vai ser uma boa novela ou não? Quais assunto serão abordados... Enfim, praticamente o Brasil para tudo para assistir o primeiro capítulo.



Sem falar dos bordões que já estão dando o que falar né? 

O que falar dessa novela que mal conheço mas já considero pakas?
Alguns até está na boca povo, o que chega a ser cômico.



Não estou disposta!!!


Então vamos lá ver o que a internet aprontou kkkk:






E outros mais que são bem hilários KKKK.
E aí gente, me contem... O que vocês acham dessa repercussão? E mais, o que acharam do primeiro capítulo da nova novela?

Porque pelo que eu fiquei sabendo, no final, todos ficaram assim:


Espero que tenham gostado do post bem descontraído.
Até a próxima!



15.3.15

Genética nas novelas


A ciência sempre mexeu muito com as pessoas, quando é sobre genética então nem se fala. A possibilidade do homem criar outro ser vivo cinetificamente é assunto bastante polêmico e causador de curiosidade. Exatamente por isso as novelas tem um cuidado maior ao tentarem abordar sobre esse tema.

Personagens principais da novela "O Clone"
Na novela “O Clone” os índices de audiência eram altíssimos, todos querendo saber se a personagem Jade (interpretada por Giovanna Antoneli) iria ficar com o original ou o clone. Coincidentemente, um mês após a estreia da novela, o médico italiano Severino Antinoria anunciou que faria o primeiro clone humano, contribuindo para a já abastada audiência e também a contemporaneidade da história.







Personagens "Pedro" e "Júlia",
meio-irmãos na novela "Sete Vidas
No dia 09 de março deste ano (2015) começou uma nova novela das seis (18h) chamada “Sete vidas” que retrata inseminação in vitro, ou seja, inseminação artificial. O trama conta a história de pessoas que descobrem ser filhos de um doador e na busca deles por esse doador e os possíveis irmãos, ou seja, audiência às alturas. Na estreia da novela ela contava com vinte pontos de audiência, e já no terceiro episódio bateu recorde nacional com 21 pontos, e 26 no Rio de Janeiro.
Algumas pessoas dizem que a vida imita a arte, seria possível aumentar as inseminações in vitro a partir dessa novela? Ou que pessoas na vida real que foram fertilizadas assim comecem a procurar e encontrar seus meio-irmãos? Bom, segundo as muitas teoria que abordamos aqui sim, mas quem sabe haja uma contra-teoria. Vamos esperar pra ver. ;)


E não percam! Está chegando um nosso post sobre o fim das novelas! Será? Será que que as novelas chegaram ao fim? Não deixem de acompanhar pra saber.

7.3.15

Histórias em fotografia: As Fotonovelas


- Ei vó, me diz um tema que tem a ver com novela para eu falar no blog...
- Hm... Por que você não fala sobre as fotonovelas?


Bem, talvez muitas pessoas não saibam muito sobre esse assunto, mas as fotonovelas foram uma mídia de muito sucesso décadas atrás. A revista Capricho, por exemplo, começou apenas com fotonovelas. Esse tipo de literatura surgiu na Itália, com o nome de fotoromanzo em 8 de maio de 1947. O primeiro fotoromanzo foi "II mio sogno" ("Meu Sonho"), feito por Stefano Reda.

As fotonovelas são uma mídia precursora das novelas televisivas. Elas são histórias em quadrinhos que, em vez de ilustrações, utilizam fotografias. Entre os anos de 1950 e 1970, o público das fotonovelas chegou a milhões de leitores (em maior parte feminino) com as histórias publicadas em revistas com grande circulação em todo o país.

A revista Capricho, primeira revista feminina do Brasil e da editora Abril, foi um grande exemplo do sucesso que as fotonovelas alcançaram. No ano de 1956 a revista chegou a mais de 500.000 exemplares por edição, a maior tiragem de uma revista na América Latina até então. Contudo, a partir de uma pesquisa nos anos 1970, as revistas de fotonovelas só eram superadas, em termos de venda, pelos quadrinhos infantis. A revista Capricho vendia 273.050 exemplares quinzenalmente, apenas perdendo para “Pato Donald”, “Mickey” e “Tio Patinhas”. Os quadrinhos chegavam, em média, à quase 2 milhões de exemplares vendidos por mês. Outras revistas de fotonovelas importantes no Brasil era a Grande Hotel (Editora Vecchi) e a Sétimo Céu (Editora Bloch).



Sobre as histórias das fotonovelas, os personagens eram maniqueístas (havia divisão do bem e do mal, onde o personagem bom era sempre bom e o mau era sempre mau) e o enredo apresentava intrigas sentimentais de uma heroína normalmente de origem humilde. Isso é relacionável ao público, que era em sua maioria era feminino.

Na época, os meios de comunicação eram poucos e os que existiam atingiam apenas uma pequena parte da população, contudo, as revistas de fotonovelas eram vendidas de forma abrangente, tanto em bancas de grandes cidades, como em pequenas cidades, sendo assim mais fácil de chagar às mãos do público. E ainda tem o caso bem comum das revistas serem emprestadas para diversas pessoas. E as fotos novelas tinham uma influência, minha avó, por exemplo, quando jovem, era uma grande fã das fotonovelas da Capricho, tanto que o nome da minha mãe e do meu tio são de personagens de fotonovelas.

Raquel de Barros, em seu artigo “A revista da moça moderna”, fala que nas revistas de fotonovela eram anunciados produtos de limpezas, eletrodomésticos e até mesmo a moda (a partir do estilo das personagens da história). As garotas da época se vestiam e compravam produtos a partir da influência das fotonovelas. As revistas ainda também traziam muitas informações relacionadas ao teatro, ao cinema, à literatura, à culinária e outros assuntos.

Outras Curiosidades:

- No Brasil, a primeira revista de fotonovela publicada foi “Encanto – A romântica revista do amor” (04/11/1949), mas na época era chama de “foto-desenho”. A revista apresentava em seu primeiro volume das histórias “Almas Torturadas” de Albert Morris e “Os Dois Amores de Ana” de Ana Luce.

- A primeira fotonovela com atores representando foi publicada no volume 22 da Encanto (03/04/1950) com o título “Invencível Amor”, baseada no romance de W. Poliseno.

- A revista “Sétimo Céu” usava como atores além dos atores os cantores famosos da época: Roberto Carlos, Vanusa, Cauby Peixoto, Wanderlei Cardoso. E também usava atores da telenovela.