13.5.14

As novelas e a história brasileira

Televisão. Geralmente quem olha para a boa e velha TV não imagina o seu papel fundamental como mídia na construção do self do brasileiro. Pois saiba, caro mancebo, que este artigo, quase pertencente a família brasileira, tem informações muito maiores que informar o telespectador.

Na década de 60 - durante a ditadura, os militares usavam forte censura para com os meios de comunicação, mas também usavam esses mesmos meios de comunicação em prol de sua auto promoção e como estratégias políticas através das novelas.

A novela no Brasil foi modificada para criar uma comunidade nacional imaginada, ou seja, um sentimento de identificação nos habitantes do país.E através das novelas tivemos grandes, como a influência para a eleição do então candidato Fernando Collor de Melo através da novela Vale Tudo(1988), onde ele colocado com a imagem de ''caçador dos marajás'' ou caçador de corruptos. Mais tarde a novela Anos Rebeldes(1992), vem destronar Collor, influenciando em seu impeachment.

Achou pouco? Coisa de passado? Pois saiba que dados comprovam que terráqueos brasileiros do século XXI se tornam consumidores muito antes de saber o que é ser cidadão e isso não é à toa. É exatamente assim que o mercado televiso quer que seja. E você pode ser o alvo principal nessa brincadeira.
Vale Tudo (1988)
Anos Rebeldes (1992)

Reações as novelas

Inspirados em conversas em família sobre novelas enquanto estas são transmitidas, produzimos um vídeo que expõe um dia em que o capítulo final de uma novela é transmitido. Pode ser observado no vídeo a representação dessas famílias que, por assistirem a novelas diariamente, acabam se envolvendo intimamente com os personagem e a história em geral. A preocupação, o nervosismo, a alegria e o desapontamento se tornam reais quando o telespectador.



Por: Iago Fillipi

Câncer em novelas

Algo comum em novelas é a abordagem do câncer ou de doenças terminais, para demonstrar que a complicação da vida de tal personagem por ter tal problema. Porém, as novelas quase nunca investem em um reforço positivo, uma história de superação. Eles fazem você pensar que o personagem está conseguindo sobreviver mesmo com a doença mas mesmo assim em algum capítulo adiante eles fazem o personagem morrer. De certa forma é interessante para a trama que personagens morram, mas para quem está assistindo, que possa vir a ter o mesmo problema, pode ser algo de se tirar as esperanças, pois podem vir a pensar que o seu destino é aquele mesmo. É uma abordagem complicada e quando não é realizada com êxito pode vir a trazer complicações.


Como acontece com o caso de Nicole de “Amor à Vida”, em que ela morre de câncer justo em seu casamento, que deveria ser um dia feliz de sua vida.

Por: Matheus Oliveira

Um Debate sobre Novelas

Sabemos que as novelas é uma grande influência na vida dos brasileiros, sobretudo as novelas da Globo que é assistido por muitos.


Alguns estudos analisam que essas influências causam uma mudança significativa, como as taxas de fertilidade e divórcio no Brasil.

A taxa de fertilidade caiu 60% desde a década de 1970, as novelas ajudaram a moldar essas ideias, principalmente das mulheres sobre o divórcio, que aumentaram nas últimas três décadas. Além de serem grandes influências, desenvolvem também um papel social, uma boa ferramenta para transmitir mensagens sociais que ajudem, como campanha contra a dengue que a novela, O clone contribuiu para divulgação dessa campanha.

Já que esse post é sobre debates, vou começar a citar alguns tipos de debates que podem ser visto nas novelas:

  • Tematização: Quando a telenovela tematiza uma questão de importância social. É quando essa questão ocupa uma boa parte da trama/enredo. 
  • Denúncia: é quando uma telenovela faz uma denúncia apontando problemas presentes na sociedade, dando uma importância a questão, mas não dando um aprofundamento para debater.
  • Discussão: é quando uma novela coloca em pauta um assunto sem ter uma opinião formado, para causar discussão do público.
  • Crítica: é quando uma novela faz uma crítica de valores, comportamento e práticas sociais, através de personagens ou situações.
  • Contribuição: pode-se contribuir para desconstruir, por exemplo, estereótipos e preconceitos, contribuir para denunciar, mostrar, lembrar, ressaltar, etc. 

Por: Carla Ramos

Doramas e as novelas brasileiras


Para quem não sabe ou não curte muito cultura oriental dorama (ドラマ) é a definição generalizada do gênero série de televisão oriental, seja ela J-Drama (drama japonês), K-Drama (drama coreano), TW-Drama (drama taiwanês), C-Drama (drama chinês), pra simplificar, o Dorama é qualquer tipo de programa televisivo gravado com pessoas. Mas eu quero falar especificamente de um tipo de dorama: as novelas.

Assim como no Brasil os orientais adoram novelas, se identificam com as histórias, gostam dos atores, comentam o enredo com os amigos e etc., porém tem muita diferença de cá pra lá, uma das diferenças mais marcantes é a duração, enquanto as novelas brasileira duram até 8 meses (se a audiência estiver muito boa, claro) as novelas orientais duram até 3 meses. Isso porque as emissoras de lá dividem o ano em 4, assim, criou-se um padrão que todas, ou pelo menos a maioria, das emissoras segue, assim, as tramas  de lá são mais ágeis, também não existem tantos personagens secundários, normalmente a novela se desenvolve toda ao redor do núcleo principal de mocinhos.

Uma das diferenças que eu achei mais interessante foi como eles determinam que a novela foi um sucesso, lá se a novela tiver 25% de audiência é igual a sucesso mundial, aqui, se uma novela tem 25% de audiência é porque é um fracasso total. Mas isso se explica com lógica, no Brasil nós temos uma emissora que passa a maioria das novelas, lá é o contrário, muitas emissoras e todas passam novelas, aí já viu né? A audiência se divide, as pessoas costumam escolher as novelas que assistem baseando-se ou na história ou nos atores, esses não se prendem em emissoras, o que faz transitar mais ainda a audiência.

O histórico das novelas



Folhetim:

Tudo começou com os folhetins, que são os antecessores da novela. O folhetim era um papel impresso contendo uma história dramática e com grande circulação. Chegou ao Brasil por volta do século XIX e os brasileiros aderiram aos folhetins rapidamente.

Radionovela:


Com a chegada do rádio o folhetim perde parte de sua importância e inicia-se a propagação de outra antecessora da telenovela, a radionovela. Já no início do século XX, o rádio passa a ser explorado como transmissor de novelas, que eram conhecidas na época como soap-opera, termo utilizado nos Estados Unidos, que fizeram do rádio um meio de consumo generalizado.




Uma grande diferença entre o folhetim e a radionovela é que o folhetim precisava terminar o capítulo com um suspense para que houvesse a procura por parte do público, esse suspense gerava a necessidade da população de ver a continuação para que continuasse a “venda” do folhetim. Já a radionovela não necessariamente tinha esse formato visto que ela seguia o sistema da soap-opera dos Estados Unidos onde parte considerável da população tinha acesso ao rádio.


Por: Matheus Oliveira

A vantagem de fugir das fórmulas

Nina em sua vingança contra a madastra
Os enredos das novelas seguem uma espécie de formula, que são muito repetidas por já terem dado certo muitas vezes. A luta do bem contra o mal, as disputas por dinheiro são “figurinhas” certa na maior parte das telenovelas. Porém, cada vez mais, essa repetição de temas tem aumentado o desinteresse por novelas, abaixando os seus índices de audiência. Já não é mais surpresa para o público enredos em que o casal de mocinhos sempre termina juntos e felizes, o vilão sem se dá mal e assim o público não se comove mais como antes.


Talvez esse seja o motivo para que a trama de Avenida Brasil tenha feito tanto sucesso. Ela foi inovadora, pois rompeu as barreiras da “mesmice” e passou a ter personagens mais reais, com sentimentos bons e ruins, deixando o telespectador em dúvida de quem era o vilão e o mocinho, abandonando uma personalidade plana dos protagonistas e passando a trabalhar com personalidades mais complexas e, consequentemente, mais realistas. A personagem Nina, interpretada pela Débora Falabella, que na infância foi abandonada pela madrasta no lixão, passou a ter um sentimento de vingança com a madrasta, Carminha. Assim a mocinha era uma vista como sombria, enquanto a vilã carismática.
Carminha enterra Nina para dissuadi-la de seus planos


Por: Ingrid Freitas

Quando as novelas mudam de rumo

Para ter o telespectador como um aliado de audiência, a televisão oferece aquilo que eles desejam assistir. E para que o telespectador queira assistir, ele precisa se identificar com o que lhe é apresentado. Ou seja, não se trata uma mera coincidência, a ficção é planejada para ser verossímil com a realidade do seu público.

É por esse motivo que muitas vezes algumas novelas acabam seguindo um rumo diferente do que os autores tinham ideia de início. Quando o público não é convencido do enredo, não se identifica e consequentemente não se agrada. A obra, que é aberta começa, passa a sofrer influência dos palpites dos telespectadores.

Na novela Caminhos das Índias(2009), o romance dos protagonistas Maya e Bahuan, que viviam um amor proibido por castas, não cativou o público. O enredo ‘’Romeu e Julieta’’ ficou longe de envolver os telespectadores, revelando assim uma baixa audiência. Com isso, a autora começou a investir mais na outra ponta do triângulo, o personagem Raj, que teria um casamento arranjado com Maya. O que antes seria um drama para a protagonista, virou uma história de amor, dessa vez com aprovação dos espectadores.


O que queremos fazendo um blog de novela

Criamos esse blog com um objetivo simples: desalinhar cada camada desse novelo. E entender que por trás do entretenimento, há uma série de análises a serem feitas, a fim de debatermos o porque das novelas terem grande influência na criação das comunidades imaginadas. Já há algo para pontuarmos: 
Isto é uma obra de ficção, qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais é mais que mera coincidência.



Por: Equipe MQMC